domingo, 24 de agosto de 2014

FAÇA O QUE EU FALO, MAS NÃO FAÇA O QUE EU FAÇO...

KARL MARX

Tinha filhos, mas não os sustentava;
Tinha esposa mas vivia como adúltero, inclusive tendo filho com a amante;
Teve o filho bastardo, mas não o assumiu. Essa tarefa foi feita por Engels;
Teve pai que o sustentou até a vida adulta, mas não foi ao seu enterro;
De origem judaica, virou anti-semita;
Escrevia sobre trabalho, sem NUNCA ter realizado nenhum trabalho braçal;
Escrevia sobre a co...ndição do proletariado, sem NUNCA ter visitado uma fábrica sequer;
Condenava a herança, porém viveu de herança praticamente a vida inteira.

ESSE É O CARA! O REI DOS VAGABUNDOS E MAIOR 171 QUE JÁ PASSOU PELA HISTÓRIA!
Curriculum que causa inveja a qualquer `vagabundo`.
Não é à toa que tem muitos seguidores...

quinta-feira, 14 de agosto de 2014

A liberdade de imprensa e o conflito entre o direito individual e o interesse coletivo.

 Uma tentativa malograda da campanha de Dilma tentar censurar profissionais liberais competentes
Aqui, várias formas legais de um cidadão se defender de matérias veiculadas na mídia. Como nenhuma delas se enquadrou ao pretendido pela candidata à reeleição, apelou ao TSE. Acabou dando um tiro no pé, servindo de garota propaganda para a Empiricus.

É praticamente diária a veiculação de matérias jornalísticas a respeito de investigações, suspeitas e escândalos envolvendo figuras públicas – como deputados, senadores, governadores, magistrados e empresários, que despertam o interesse da população. Assim também como inúmeros profissionais tem sido atacados e processados, por expressarem sua opinião. É esse o caso da Empiricus Research, empresa de pesquisa do mercado econômico, sem ligação com qualquer instituição financeira, economica ou política, que publicou um artigo sob o título O FIM DO BRASIL, devidamente assinado pelo economista Felipe Miranda, e foi denunciada pelo PT ao TSE contra dois textos de análise que estavam no Facebook e circulavam como publicidade paga. Eram análises críticas ao governo Dilma. O ministro do TSE Admar Gonzaga concedeu inusitada liminar que determinou a retirada de propaganda veiculada na internet como conteúdo negativo direcionado à Dilma Rousseff e com elogios a Aécio Neves, ambos candidatos à Presidência da República. A decisão ocorreu numa representação movida pela coligação que apoia Dilma Rousseff na campanha pela reeleição contra a empresa Empiricus Consultoria e Negócios,contra  Aécio Neves e sua coligação e contra o Google. Além disso, uma analista do Banco Santander que fez projeções economicas para o cenário de reeleição da atual presidente, virou alvo da fúria petista e sua cabeça foi pedida e oferecida por Emilio Botin ( presidente mundial do Banco), tal qual a de João Batista, numa bandeja oferecida ao presidente Lulla.
  Uma tênue linha divide o direito constitucional de livre expressão, da acusação de calúnia, injuria ou difamação. O direito de livre expressão está explícito no art. 5º, inciso IV da Constituição Federal ,que reza:
Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes:
I - homens e mulheres são iguais em direitos e obrigações, nos termos desta Constituição;
II - ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei;
III - ninguém será submetido a tortura nem a tratamento desumano ou degradante;
IV - é livre a manifestação do pensamento, sendo vedado o anonimato;

 O que faz com que as publicações na mídia virem processos e cheguem ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) é a discussão sobre a existência de dano e  a consequente necessidade de reparação civil, provocada pelo confronto entre dois direitos fundamentais garantidos pela Constituição Federal: acesso à informação e inviolabilidade da intimidade e da honra das pessoas.Como o Governo não encontrou respaldo constitucional e tampouco no Código Penal para praticar um ato de censura velada, apelou ao Código Eleitoral e protocolou sua denúncia, não só contra a Empiricus, a coordenadoria da campanha de Aécio Neves e o Google, alegando serem os textos pura propaganda política. Contra o Banco Santander que realizara um trabalho de análise economica para orientação de seus investidores, houve perseguição descarada à analista autora e o resultado pretendido foi plenamente alcançado e a profissional (que  apenas realizava seu trabalho diário), acabou demitida. Já contra a Empiricus, o buraco é mais embaixo, uma vez que é uma empresa independente e os analistas são sócios do proprio negócio. Então, dá-lhes denúncia no TSE!
 A realidade é que se de um lado os veículos defendem seu direito-dever de informar, de tecer críticas e de estabelecer posicionamentos a respeito de temas de interesse da sociedade, de outro lado, aqueles que foram alvo das notícias sentem-se invadidos pelos noticiantes e propagam que  a sua honra foi ofendida. No caso da Empiricus, como o PT não pode alegar ofensa à honra, usou de um subterfúgio: recorrer ao Superior Tribunal Eleitoral, alegando que a empresa estava fazendo propaganda política. Ora, quem fez propaganda foi o PT. E uma excelente propaganda, digna de um prêmio Caboré, uma vez que a Empiricus, segundo notícia divulgada no Blog Reinaldo Azevedo,  teve a base de clientes que paga por pacotes de análises aumentada de cerca de 9.000 para 16.500. Segundo informa a VEJA.com, “a consultoria possui ainda um mailing de 200.000 clientes em potencial que recebem boletins financeiros gratuitamente, após fazerem inscrição no site. Essa carteira específica ganhou em torno de 7.000 novos nomes por dia na semana passada”.  Ou seja, a truculência do Governo federal serviu para aumentar o número de pessoas que lêem os relatórios da Empiricus. Tiro no pé!
A Constituição Federal garante em seu artigo 5º, inciso , inciso IV, a “liberdade de manifestação do pensamento, vedado o anonimato;" no inciso IX, que “é livre a expressão da atividade intelectual, artística, científica e de comunicação, independentemente de censura ou licença;” e no inciso XIV  “é assegurado a todos o acesso à informação e resguardado o sigilo da fonte, quando necessário ao exercício profissional;”
             Em seu Capítulo V- DA COMUNICAÇÃO SOCIAL, a Constituição Federal traz no bojo ao art. 220, as seguintes diretrizes:
Art. 220. A manifestação do pensamento, a criação, a expressão e a informação, sob qualquer forma, processo ou veículo não sofrerão qualquer restrição, observado o disposto nesta Constituição.
§ 1º - Nenhuma lei conterá dispositivo que possa constituir embaraço à plena liberdade de informação jornalística em qualquer veículo de comunicação social, observado o disposto no art. 5º, IV, V, X, XIII e XIV.
§ 2º - É vedada toda e qualquer censura de natureza política, ideológica e artística.
 Quando esses direitos constitucionalmente assegurados entram em conflito, ou “apertam o sapato de alguém”, estabelecem o pano de fundo de alguns processos judiciais, “a solução não se dá pela negação de quaisquer desses direitos. Ao contrário, cabe ao legislador e ao aplicador da lei buscar o ponto de equilíbrio onde os dois princípios mencionados possam conviver, exercendo verdadeira função harmonizadora”, afirmou a ministra Nancy Andrighi, no julgamento do REsp 984.803.
-Estabelecendo Limites
 Segundo o ministro Raul Araújo, integrante da Quarta Turma, a análise da incidência ou não de reparação civil por dano moral a direitos de personalidade depende do exame de cada caso concreto.
 Para o ministro, a liberdade de expressão, compreendendo a informação, opinião e crítica jornalística, por não ser absoluta, encontra algumas limitações ao seu exercício, compatíveis com o regime democrático. Araújo apontou que entre elas estão o compromisso ético com a informação verossímil; a preservação dos chamados direitos de personalidade, entre os quais se incluem os chamados direitos à honra, à imagem, à privacidade e à intimidade; e a vedação de veiculação de crítica jornalística com intuito de difamar, injuriar ou caluniar a pessoa (REsp 801.109). 
O posicionamento  do Recurso Especial 801.109 foi aplicado no julgamento do recurso da Editora Abril contra acórdão do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e Territórios (TJDFT) que fixou indenização por danos morais a ser paga a magistrado por ofensa à sua honra em notícia publicada pela revista Veja.
A notícia criticou a atuação da autoridade, por meio da divulgação de supostas irregularidades em sua conduta trabalhista. Além disso, elencou que a CPI do Judiciário havia encontrado indícios da prática de crimes, como prevaricação, abuso de poder e improbidade administrativa, cometidos pelo magistrado.
 -A crítica pode ser ácida, mas não é abuso
No STJ, o acórdão do TJDFT sofreu reforma. Os ministros decidiram que não houve abuso no exercício da liberdade de imprensa, pois, segundo eles, a “ácida” crítica foi baseada em levantamentos de fatos de interesse público e principalmente por ter sido feita em relação a caso que ostenta “gravidade e ampla repercussão social”.
Para o ministro Raul Araújo, relator do recurso, “a divulgação de notícia sobre atos ou decisões do Poder Público, ou de comportamento dos seus agentes, a princípio, não configura abuso da liberdade de imprensa, desde que não seja referente a um núcleo essencial da intimidade e da vida privada da pessoa ou que não prevaleça o intuito de difamar, injuriar ou caluniar.” E aqui fica a pergunta que não quer calar: onde estão a difamação, a iinjúria ou calúnia promovidas pela Empiricus e pela analista do Santader? São dados de pesquisa de mercado que devem ser confrontados com dados reais a serem apresentados pelo Governo. Mas sem “contabilidade criativa”...pelo amor de Deus!
Para o ministro relator, ”é assegurado a qualquer jornalista emitir opinião e formular críticas, mesmo que severas, irônicas ou impiedosas, contra qualquer pessoa ou autoridade, desde que referentes a fatos verídicos. Porém, quando os fatos noticiados não são verdadeiros, pode haver abuso do direito de informar por parte do jornalista”, afirmou Raul Araújo. Como a Empiricus não divulgou fatos não verdadeiros, não pode ser apenada por isso também.
Voltando ao cerne do Resp 801.109, ao analisarem o recurso da Editora Abril, os ministros entenderam que houve dano moral, visto que o sofrimento experimentado pelo magistrado estava evidente. Porém, ressaltaram que esse fator não era suficiente para tornar o dano indenizável.
-Jornalistas tem a missão de informar
 Os ministros também entenderam que o veículo apenas cumpriu a missão de informar, ao julgar o REsp 1.191.875, da relatoria do ministro Sidnei Beneti. O Jornal o Dia teceu críticas à atitude de um magistrado (então presidente do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro – TJRJ) que foi fotografado ao lado de um empresário preso pela Polícia Federal, acusado dos crimes de tráfico de influência e de desvio de recursos públicos.
 O magistrado ajuizou ação de indenização, que foi julgada improcedente em primeiro grau. Na apelação, o TJRJ reverteu a decisão e condenou o jornal a indenizar a autoridade em R$ 5 mil. No STJ, a Terceira Turma reformou a decisão de segundo grau e afirmou não ter sido configurada atividade moralmente ofensiva, mas mera notícia jornalística.
 Para os ministros, não houve qualquer intenção de ofender ou de lesar moralmente a autoridade, mas apenas de retratar o sentimento da sociedade diante de um fato incomum: o presidente de um tribunal de justiça posar para foto ao lado de um acusado de envolvimento em crimes de tráfico de influência e de desvio de dinheiro público. Nesse caso, decidiram que não houve “ânimo ofensivo” na crítica por parte da imprensa e que faltou "dolo específico", elemento necessário à configuração do dano moral. Exatamente como no caso da Empiricus. A empresa, que faz pesquisa do mercado financeiro e tem por missão profissional a orientação de seus assinantes-investidores baseado nos resultados que obtém com suas enquetes, nada mais fez que divulgar sua visão da situação atual e tecer alguns comentários sobre o pós eleição. E nesses comentários, apresentou duas vertentes ligadas aos dois candidatos que lideram as pesquisas eleitorais. Portanto, o “ânimo ofensivo” não foi configurado. Restou apenas a missão de informar, que é garantida constitucionalmente, como já vimos acima.
-Sensacionalismo e falsidade de informações
 No julgamento de um recurso especial da Infoglobo Comunicações, editora do jornal O Globo, o ministro Antonio Carlos Ferreira, da Quarta Turma, considerou de caráter sensacionalista reportagem sobre um desembargador fluminense. Isso gerou a obrigação de reparar o dano causado (REsp 645.729).
 O jornal divulgou notícia sobre a concessão da entrevista do magistrado à revista G Magazine, fazendo crer que esse ato estaria revestido de uma conduta ilícita ou imoral. Também insinuou que, em consequência disso, a cúpula do tribunal de justiça queria deportá-lo para Portugal. Informação falsa, já que o magistrado havia sido contemplado com uma bolsa de estudos nesse país.
 Os ministros da Quarta Turma concluíram que mesmo não tendo havido dolo em macular a imagem da autoridade, no mínimo houve a culpa pelo teor sensacionalista e inverídico da nota publicada, o que extrapola o exercício do direito de informar. Assim, os ministros concordaram com o dever de indenizar, mas deram parcial provimento ao recurso da editora para reduzir de R$ 100 mil para R$ 50 mil o valor dos danos morais.
 Segundo o ministro Antonio Carlos, “é pacífica a jurisprudência no sentido de que o STJ pode alterar o valor dos danos morais quando fixados de maneira exagerada, sem que isso implique revolvimento do conteúdo fático-probatório.”  Voltando à Empiricus e ao Santander, temos que suas informações foram verídicas, baseadas em pesquisas embasadas por critérios científicos. Portanto, não há que se falar em sensacionalismo e falsidade de informações. E outra vez, torno a dizer: quem discordar do publicado por eles, que refute com dados palpáveis, tais como os que foram apresentados na controvérsia. Espernear e exigir a demissão de uma funcionária do Santander é coisa de gente imatura ou que não tem arguentos convincentes. Essa funcionária, uma analista, escreveu sua análise, mas não a publicou sozinha!Coordenadores, Gerentes, Superintendentes e até mesmo Diretores viram o que foi escrito e não acharam nada de errado, até o ex presidente Lula bater o pé e aumentar o tão manipulado nível de desemprego no país, com a exigida demissão da analista.
-Injúria
 Ao julgar o REsp 1.068.824, os ministros do STJ também consideraram que a imprensa extrapolou o dever de informar. O recurso foi interposto pela Editora Abril contra acórdão do TJRJ que condenou a editora ao pagamento de indenização a ex-presidente da República por danos morais.
 A revista Veja publicou matéria jornalística referindo-se ao ex-presidente Fernando Collor de Mello como “corrupto desvairado” e, de acordo com o ministro Sidnei Beneti, relator do recurso, não se tratou de “pura crítica”, suportável ao homem público, mas sim, de injúria.
 A injúria, tipificada no artigo 140 do Código Penal, de acordo com o ministro Beneti, possui reduzida margem de defesa entre as modalidades de crime contra a honra, “pois não admite exceção de verdade”. Segundo o ministro, a injúria materializa-se na própria exteriorização oral, escrita ou fática de palavras aptas a ofender.
 Para o ministro, poucas hipóteses excluem a responsabilidade pela injúria: “a prolação de palavras em revide imediato, ou em momento de ânimo exacerbado, evidentemente não se aplica ao caso da escrita por profissional categorizado, perito na arte de usar as palavras com extensão e compreensão correspondentes às ideias nelas contidas”. Mais uma vez voltemos ao caso da Empiricus e do Santander: onde está a injúria? Não se configura, uma vez que ambas as análises foram baseadas em realidades apresentadas pelo mercado economico e financeiro do Brasil. Portanto, não deu para processá-los por aí também.
-Verdade e o interesse coletivo
 Para ministra Nancy Andrighi, “a liberdade de informação deve estar atenta ao dever de veracidade, pois a falsidade dos dados divulgados manipula, em vez de formar a opinião pública”. Ela deve atender também ao interesse público, “pois nem toda informação verdadeira é relevante para o convívio em sociedade” (REsp 896.635).
 No REsp 1.297.567, os ministros da Terceira Turma discutiram o alcance ofensivo de reportagem publicada em grande jornal, que apontou envolvimento ilícito de magistrado com empresário ligado ao desabamento do edifício Palace II, no Rio de Janeiro.
 Na publicação constou que, de acordo com informações da Polícia Federal e do Ministério Público, o juiz teria beneficiado o ex-deputado Sérgio Naya em ação relativa às indenizações das vítimas do acidente.
 O recurso foi interposto pela Infoglobo Comunicação e Participações contra acórdão do TJRJ que reconheceu excesso na matéria veiculada e ofensa à honra do juiz, condenando a empresa ao pagamento de indenização por danos morais.
 No STJ, o entendimento do segundo grau foi reformado. A ministra Nancy Andrighi, relatora do recurso, decidiu ”que o veículo foi diligente na divulgação e não atuou com abuso ou excessos. Atendeu ainda ao dever de veracidade e de relevância ao interesse público.”
 De acordo com a ministra, “a sociedade tem o direito de ser informada acerca de investigações em andamento sobre supostas condutas ilícitas praticadas por magistrado que atua em processo de grande repercussão nacional, ligado ao desabamento do edifício Palace II”.
 Para os ministros da Turma, a matéria deixa claro que as informações tiveram como fonte as investigações da Polícia Federal e do Ministério Público, além de mencionar investigação perante o Conselho da Magistratura. “Ainda que posteriormente o magistrado tenha sido absolvido das acusações, quando a reportagem foi veiculada, as investigações mencionadas estavam em andamento”, ressaltaram. Portanto não houve excesso e tampouco o devido alcance ofensivo na matéria. Como no caso da Consultoria e do Banco.
-A busca de fontes confiáveis
 Segundo Nancy Andrighi, o veículo de comunicação afasta a culpa quando busca fontes fidedignas, exerce atividade investigativa, ouve as partes interessadas e não deixa dúvidas quanto à veracidade do que divulga.
 Entretanto, a ministra lembra “que esse cuidado de verificar a informação antes de divulga-la não pode chegar ao ponto de impedir a veiculação da matéria até que haja certeza “plena e absoluta” da sua veracidade, sob pena de não conseguir cumprir sua missão, que é informar com celeridade e eficácia.”
 Na Quarta Turma, o entendimento é o mesmo. De acordo com o ministro Luis Felipe Salomão, “o dever de veracidade ao qual estão vinculados os órgãos de imprensa não deve consubstanciar-se dogma absoluto, ou condição peremptoriamente necessária à liberdade de imprensa, mas um compromisso ético com a informação verossímil, o que pode, eventualmente, abarcar informações não totalmente precisas” (REsp 680.794). E, mais uma vez vinculando esse posicionamento ao lamentável epísódio da Empiricus e do Santander, vemos que as informações divulgadas (orientações aos investidores) sequer resvalaram na dúvida. Foram embasadas e justificadas. Outro dispositivo legal que não se aplica às duas empresas.

              -Inaplicabilidade da Lei de Imprensa e o Código Civil
 A discussão sobre a existência do dano moral e a necessidade de reparação é regida pela Lei 10406 de 10 de Janeiro de 2002 (Código Civil), que, em seu Tìtulo III, artigo 186, estabelece os pressupostos básicos da responsabilização civil, nos seguintes dizeres:
 TÍTULO III
Dos Atos Ilícitos
Art. 186. Aquele que, por ação ou omissão voluntária, negligência ou imprudência, violar direito e causar dano a outrem, ainda que exclusivamente moral, comete ato ilícito.
  
O código diz que comete ato ilícito aquele que, por ação ou omissão voluntária, negligência ou imprudência, violar direito e causar dano a outrem, ainda que seja de ordem exclusivamente moral. No
TÍTULO IX
Da Responsabilidade Civil
CAPÍTULO I
Da Obrigação de Indenizar
Art. 927. Aquele que, por ato ilícito (arts. 186 e 187), causar dano a outrem, fica obrigado a repará-lo.
Parágrafo único. Haverá obrigação de reparar o dano, independentemente de culpa, nos casos especificados em lei, ou quando a atividade normalmente desenvolvida pelo autor do dano implicar, por sua natureza, risco para os direitos de outrem.

Portanto, neste artigo, o código fixa a obrigação da reparação ao causador do dano.
 A Lei 5.250/67 (Lei de Imprensa), apesar de mencionada com frequência nos recursos julgados pelo STJ, não foi recepcionada pela Constituição Federal de 1988. Porém, como o entendimento foi declarado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) – na Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) 130 – apenas no ano 2009, ela foi utilizada inúmeras vezes para fundamentar as ações até aquela data.
 O ministro Sidnei Beneti é categórico ao afirmar a impossibilidade de extração de fundamento da Lei de Imprensa. “Não se acolhe alegação recursal de violação dos dispositivos da Lei de Imprensa, porque o STF, ao julgar a ADPF 130, já firmou que todo conjunto dessa lei não foi recepcionado pela Constituição Federal de 1988, de maneira que esse fundamento do recurso deixou de existir no ordenamento jurídico”, afirmou (REsp 1.068.824).  Desta feita, não há de se falar nessa Lei e tampouco em seu “direito de resposta”, como bradaram alguns defensores do atual Governo.
-Conclusão
            Sem ter “um gato para catar pelo rabo”, como diz a máxima popular, o Governo derivou para o Tribunal Superior Eleitoral- TSE, acusando a Empiricus, a coordenadoria da campanha de Aécio e o Google de estarem fazendo propaganda política. No  Santander, “a corda estourou para o lado mais fraco”, colocando mais uma desempregada nas ruas. Isso fez com que Reinaldo Azevedo, em seu Blog, publicasse matéria intitulada “O partido do terror da censura e do silêncio.Ou: Funcionária do Santander já foi demitida, como exigiu Lula” , onde escreve:
“O terror petista já está em curso. A “analista” do Santander, que não teve seu nome divulgado, já foi demitida. A informação foi passada aos jornalistas pelo presidente mundial do banco, Emilio Botín, que foi chamado por Lula, nesta segunda, durante encontro da CUT, de “meu querido”. O chefão petista, aliás, puxou o saco do banqueiro e demonizou a pobre bancária. Afirmou que a moça não sabia “porra nenhuma”, nesses termos, e que o seu amigão deveria dar a ele, Lula, o bônus que caberia à então funcionária.
Só para lembrar: correntistas com conta acima de R$ 10 mil receberam uma avaliação sobre a situação política e econômica do país. O texto informava que os indicadores pioram se aumentam as chances de Dilma ser reeleita. Grande coisa! Isso já virou lugar-comum. Os petistas, no entanto, se aproveitaram para inventar uma guerra dos ditos “ricos” contra o PT. Prefeituras do partido que têm a conta-salário no banco falam em romper o contrato. A militância estimula os filiados a retirar seu dinheiro da instituição. Não passa de oportunismo eleitoral.”
            E finalizou divinamente sua matéria, com os seguintes parágrafos:
            “Certa feita, um adversário de Marat, o porra-louca jacobino da Revolução Francesa, afirmou sobre o seu furor punitivo: “Deem um copo de sangue a este canibal, que ele está com sede”. Falo o mesmo sobre Lula e o petismo: deem copos de sangue aos canibais; eles estão com sede.
            É claro que se trata de uma ação para intimidar o debate. A partir de agora, nas instituições financeiras, bancos ou não, está instalado o clima de terror jacobino. Até parece que isso vai mudar alguma coisa. Não vai, não. Tudo tende a piorar.
           O PT apelou ao TSE — e obteve uma liminar absurda — para tirar da Internet dois textos da consultoria Empiricus Research que o partido considera que lhe são negativos. O conjunto da obra é péssimo e indica que o PT não tem um compromisso inegociável com a liberdade de expressão. Não custa lembrar que essa é a legenda que definiu como um de seus principais objetivos o chamado “controle social da mídia”. Imaginem como seria a liberdade de expressão entregue a esses patriotas…
           Que coisa! O partido que, na década de 80, queria ser a encarnação da liberdade de expressão agora quer se manter no poder apelando à censura, ao terror e ao silêncio”.

           Já na Empiricus, a ação surtiu efeito contrário. Foi uma ótima propaganda para a empresa. Segundo Felipe Miranda, o autor do texto O FIM DO BRASIL e um dos sócios da Empiricus Research, não tem por que reclamar da repercussão, claro!, mas não fica necessariamente contente com a patrulha: “Ainda que haja mais desdobramentos de marketing, o episódio é lamentável demais para ser celebrado. O governo quis desviar o debate, colocando o mercado como vilão. Mas não poderá fazer isso para sempre. Pode calar os bancos agora. Contra nós, não podem fazer nada além desse cerceamento momentâneo que pode, aliás, ser retirado a qualquer momento pelo TSE”.
            Visionário, esse Felipe. Na terça-feira, dia 05, o TSE publicou decisão sob o título “Interferência da Justiça Eleitoral no Facebook deve ser mínima” .O Plenário do TSE, por unanimidade, firmou entendimento, na sessão da citada terça-feira (5), que o uso do Facebook antes das campanhas eleitorais não caracteriza irregularidade, salvo em situações específicas. Os ministros entenderam, ao acompanhar o relator, ministro Henrique Neves, que a liberdade de expressão do eleitor deve ser total e que a interferência da Justiça Eleitoral deve se dar somente nos casos em que há ofensa à honra ou divulgação de fato sabidamente inverídico.
             O ministro Henrique Neves disse que o Facebook atinge expressiva quantidade de pessoas e a internet consta como a segunda mídia mais acessada por brasileiros. “Tenho como certo que a utilização dos meios de divulgação de informação disponíveis na internet é passível de ser analisada pela Justiça Eleitoral para o efeito de apuração de irregularidades eleitorais, seja por intermédio dos sites de relacionamento, em que o conteúdo é multiplicado automaticamente, seja por meio dos sítios tradicionais de divulgação de informação”, afirmou.
             Contudo, a análise das mensagens divulgadas pela internet deve ser feita com a menor interferência possível no debate democrático. “A Constituição Federal estabelece como garantia de direito individual a livre manifestação do pensamento, vedado o anonimato”, acentuou o relator.
          Mais uma vez fica aqui a pergunta que não quer calar: Esse direito não se aplica à Empiricus? Depois acham ruim quando um presidente como o De Gaulle vem ao Brasil e afirma “que este não é um país sério”. Ou quando outros políticos internacionais nos chamam de republiqueta de bananas...Com ações truculentas como essa, o que esperam? Elogios? Lembrem-se do coro da abertura da Copa e vejam que o Brasil está mudando. Está certo que pão e circo ainda compram grande parcela da população menos abastada e pouco instruída. Mas há, em todos os meios pessoas esclarecidas e estudadas, como os rapazes da Empiricus e a analista demitida do Santander. Pessoas que merecem, antes de mais nada, respeito à suas liberdades individuais. Caso contrário, quem estará infringindo a Constituição será a coligação que apoia a atual presidente. E estará passível das penas previstas na Constituição, no Código Penal e no Código Eleitoral. Este, o princípio da isonomia, é uma das bases do Direito. Então, para fatos iguais, penas iguais. E vamos ver qual será o próximo lance a ser dado nesse jogo de xadrez, onde a rainha está cada vez mais distante de seus peões e o rei já não reina mais.

Autora: Dra. Maria Luísa Duarte Simões
Leia mais: http://jus.com.br/artigos/30985/a-liberdade-de-imprensa-e-o-conflito-entre-o-direito-individual-e-o-interesse-coletivo#ixzz3AOHuOWtZ

segunda-feira, 4 de agosto de 2014

POLÍTICA MONETÁRIA BRASILEIRA: MAIS PERDIDA QUE CEGO EM TIROTEIO...

00:16- Acima do bem e do mal
Como bem definiu Nietzsche, a razão é uma grande emoção, é o desejo de controle. Uma pena este governo não ter lido o filósofo. 
Sob uma pretensa racionalidade e argumentação de terrorismo eleitoral, busca-se o controle das opiniões sobre economia & finanças. Num governo ensimesmado, críticas técnicas e argumentos decorrentes de questões estritamente factuais sobre Economia viram “tentativa de influenciar o voto.”
Os críticos argumentam que uma política econômica cujo placar é de Inflação 7 (6,5% para ser preciso) x Crescimento 1 (0,9% para ser preciso) é ruim. Em vez de encontrarem como resposta uma antítese convincente para refutar a tese, recebem de volta a acusação de terrorismo eleitoral.
A associação entre incompetência e falta de autocrítica não é nova. Justin Kruger e David Dunning, da Cornell University, no artigo Unskilled and Unaware of It: How Difficulties in Recognizing One’s Own Incompetence Lead to Inflated Self-Assessments, atestaram a relação genotípica entre competência e autocrítica. Virou um clássico.
O FMI está errado. O Santander, a Empiricus, a Fitch e os gestores são todos loucos.
Errados e sem direito, inclusive, de errar, pois não podem sequer exibir suas opiniões. Ponto final.
A pergunta ainda sem resposta: como combateremos o cenário de estagflação sem críticas e debate?
A série sobre O Fim do Brasil firma seu compromisso em contribuir, construtivamente, para esse diálogo. Proponho um debate estritamente econômico, não político. Volto com novidades em breve. Podem me cobrar.
01:23- E Marx, leram?
Eu entendo perfeitamente que não tenham lido Nietzsche. A referência filosófica atual é a Marilena Chauí, aquela que disse publicamente e sob aplausos ao fundo do ex-presidente  Lula, que “odeeeeia” (assim mesmo, caprichando no “e”) a classe média. E eu, que fundei uma consultoria para dar boas recomendações de investimento à classe média, sou o terrorista. Saquei. Bom, vamos em frente.
O problema maior é que sequer leram Marx, que deveria ser-lhes uma referência. Ao acusar os analistas de mercado de tentar influenciar voto, associam o capital a determinada ideologia. Isso fere uma das proposições marxistas mais convencionais de que o dinheiro busca, apenas, tornar-se mais dinheiro. É a clássica formulação D-M-D’, ou seja, de que o dinheiro (D) vira mercadoria (M) para voltar a ser mais dinheiro (D’).
Dinheiro não tem carimbo, capital não tem ideologia. Ao vender ações de estatais (e outras, em âmbito geral) a partir do ganho de espaço da situação nas pesquisas eleitorais, o investidor apenas demonstra uma crença de que, sob a atual administração, os lucros por ação serão menores. E se isso acontece em nível agregado, com todas as empresas, é porque a própria Economia iria mal.
Reforça-se: a discussão é econômica. Investimento não admite o clima de “nós contra eles”. É ele (dinheiro) com ele mesmo (mais dinheiro).
01:47- Mudança de paradigma
Nunca gostei de rótulos e categorizações. Nós, eles, direita, esquerda, value, growth, agressivo, moderado. Deveríamos estar todos no mesmo barco.
Falando da minha área, especificamente, todos procuram as melhores oportunidades de investimento, sem torcer para que o outro encontre futuro menos profícuo. Seu único adversário é o custo de oportunidade do capital.
Uma tristeza ainda insistirem em certas clivagens, algumas delas muito curiosas.
Em evento recente na CUT, o ex-presidente Lula fez gol contra, desta vez enfrentando a turma do "nós" e abraçando o pessoal do "eles". Mostrou-se amigão do presidente do Santander, um homem honrado. E, de forma muito educada, pediu a cabeça da bancária, que, na opinião do ex-presidente, não saberia p*&#!% nenhuma de Brasil. O problema não seria do Santander, mas da analista apenas.
Não podemos acusar o ex-presidente de incoerência. Em evento na Bahia no dia 27 de junho, Mr. da Silva, sob o contexto das reações da Bolsa, constatou que não é o mercado que elege presidente. Há aqui algo implícito: o reconhecimento de que o mercado, no geral, não gosta da atual administração. Ou seja, Lula sabe que a Bolsa cai com Dilma bem nas pesquisas - e vice-versa. Ele disse o mesmo do Santander!
Então, repito assertiva anterior: se ambos falaram a mesma coisa, das duas, uma: i) ou o Santander não fez propaganda eleitoral; ou ii) Lula fez propaganda eleitoral, contra Dilma.
02:33- Questão de foco
Em meio ao “nós contra eles” e ao cerceamento do debate, querem esvaziar a discussão em torno do que realmente importa. Eu nunca quis nem pretendi discutir política. Jamais faremos isso. Estamos aqui para falar de economia & finanças. O foco é total e irrestrito nisso.
Acordamos e dormimos pensando em mercados e alocação de ativos, nas formas apropriadas de investimento para fazer nossos clientes ganharem dinheiro. É só isso que eu gostaria de continuar fazendo.
Não sou cientista político. Sou economista e mestre em Finanças. Na Empiricus, sou responsável pela cobertura das ações de consumo e real estate. Escrevo as séries O Fim do Brasil e a Carteira Empiricus. A primeira talvez você já conheça. A segunda representa hoje possivelmente nosso relatório mais completo, com uma sugestão detalhada de alocação de ativos. Quanto você deve ter de ações, renda fixa, imóveis e câmbio. E o que comprar em cada um dos mercados. Esclarecimento óbvio: não faço o relatório sozinho - toda a equipe participa dessa montagem, com a opinião dos especialistas em cada área.
Tudo o que você precisa para dormir tranquilo em relação às finanças. Nós estaremos sem dormir para prover-lhe o descanso dos justos. Fica aqui o convite para conhecer o produto.
Então, fica o convite estrito ao debate sobre consumo, real estate, economia e asset allocation.
03:12- Sobre consumo e real estate
Posto que, à esta altura, me parecem cristalinas minhas convicções sobre a economia brasileira, deixo algumas considerações sobre consumo e real estate. Começo pelas incorporadoras.
Estou bastante cético quanto à evolução de resultados e teria exposição reduzida ao setor. Prévias já vinham indicando isso e resultado de PDG anunciado na quinta à noite corrobora avaliação. Distratos voltaram a aumentar e velocidade de vendas tem sido baixa.
Média e média-alta renda têm sido bastante afetadas por desaceleração da economia e efeito calendário. Situação pode piorar com perspectiva de recrudescimento das condições de liquidez lá fora. Nomes associados a turnaround podem ser particularmente problemáticos no momento, de forma que reitero preferência pelos cases premium.
Baixa renda também tem se mostrado mais resiliente. MRV e Direcional tendem a ser os melhores resultados do trimestre.
Sobre consumo, o ceticismo deriva mais por conta de uma questão de valuation, com nomes, no geral, esticados, sobretudo quando ponderados pelo ambiente macro desafiador (baixo crescimento e inflação alta, com prognóstico de diminuição do emprego à frente). Resultados têm mostrado volatilidade, de modo que recomendo olhar nome a nome. Penalização recente envolvendo AmBev me parece excessiva.
03:57- Sobre asset allocation
Aqui vou ser bem breve. Comentários aprofundados e recomendações precisas estão na Carteira Empiricus. Deixo três considerações:
i) Finalmente parecem ter acordado para o sobreapreçamento das bolsas internacionais, sobretudo as americanas. Acho que há um ajuste maior por vir. Estimularam a tomada de risco em excesso para sair da crise de 2008 - a conta virá, sempre vem.
ii)Dólar abaixo de R$ 2,26 é a chance de você comprar moeda premium com desconto. Valor fundamental, naquilo que os economistas batizaram de Fundamental Equilibrium Exchange Rate, está por volta dos R$ 2,50. Quando juro começar a subir lá fora, ninguém vai querer estar em real, que é moeda exótica, com beta muito alto - paga muito bem quando mercado vai bem, e paga muito mal quando mercado vai mal, ou seja, o momento em que você mais precisa de dinheiro, ela paga mal.
iii) Queda do juro longo no Brasil acende sinal amarelo. Com a deterioração adicional das contas públicas confirmada a partir do déficit primário em junho, pior do que a pior estimativa, papo de sustentabilidade fiscal vai pegar forte ainda.
04:20- Deus e o diabo na Terra do Sol
Encerro com um breve questionamento sobre a economia brasileira, porque, me desculpem, eu não resisto. Qual a intenção da atual política monetária?
O arcabouço clássico de gestão monetária é a famosa Regra de Taylor, em que o Banco Central pondera preferências entre crescimento econômico e inflação para decidir sua taxa básica de juro. Se a economia está muito aquecida, sobe o juro para combater a inflação. E vice-versa.
Nosso problema é que a economia não está aquecida e a inflação é alta. Então, fica difícil  a missão do Banco Central, que simplesmente não sabe o que fazer. Acabou de descartar queda da taxa Selic na ata de sua última reunião.
No dia subsequente, liberou compulsório, ou seja, adotou política monetária expansionista, como forma de estimular o crédito e, por conseguinte, a economia.
Simultaneamente, vem atuando de maneira sistemática no câmbio para conter a inflação. Adianta-se: o argumento de que o BC atua para reduzir a volatilidade, sob um pseudo fear of floating (medo da flutuação) não cola aqui, pois a vol do câmbio está nas mínimas.
Ao tentar combater inflação e estimular o crescimento de forma concomitante, o Banco Central acende uma vela para Deus e outro para o diabo. Não vai funcionar.
Relatório da Empiricus, escrito por Felipe Miranda

O TEMPLO CONTAMINADO - OU SALOMÃO QUEM, CARA PÁLIDA

 
Tem uma simbologia contundente o fato de parte da terra que contaminou o campus da USP Leste ter saído do terreno do assim chamado Templo de Salomão, da Igreja Universal do Reino de Deus. Eu sei que o terreno da universidade, interditado por mais de seis meses, tem outras fontes de contaminação. O gás metano e substâncias cancerígenas encontrados são de várias origens.
E também sei que não foram os neopentecostais que contaminaram o terreno do “templo” no Brás – parte dele era do Lanifício Paulista há décadas. Mas a autoimportância do “bispo” Edir Macedo, que cultiva agora uma barba de patriarca e recebe na inaguração a presidente Dilma, o vice Temer, o governador Alckmin, o prefeito Haddad e o ex-Kassab, o ministro da Casa Civil Aloizio Mercadante e o ministro do Supremo Ricardo Lewandowski, entre outras autoridades subservientes, eleitoreiras e oportunistas, nos cobre de vergonha alheia.
E tem toda uma coerência com uma longa história patriarcal de abusos. Os primeiros a serem humilhados são o próprio Salomão, e Jesus Cristo. Personagem do Velho Testamento, Salomão teria vivido no século 9º a.C., ou seja, é parte de uma estratégia de deixar o menino-propaganda Jesus de lado, e garfar a tradição judaica (que está presente também nos adereços que aparecem na foto acima, as menorás, ou candelabros de sete braços, como se vê na foto acima).
A construção desse “templo” afirma algumas coisas. Entre outras, que todo o polimento humanista que a tradição judaico-cristã recebeu no Novo Testamento, e que de certa forma desembocou tardiamente na Teologia da Libertação, não desautoriza noções antigas e mais brutais. A de que o Deus é exigente e vingativo, sim. E que os “escolhidos” (não mais os judeus, mas os neopentecostais) são sua milícia moral.
Acontece que o rei Salomão, que teria sido casado com 700 mulheres, e amante de mais 300 concubinas, é conhecido pelo Cântico dos Cânticos, o livro mais sensual da Bíblia. Nesse livro bastante atípico, Deus é citado só uma vez, e mesmo assim de forma indireta. Certamente “bispos” e “pastores” devem se excitar com os relatos de tanta fartura – mas nem de longe estão à altura de Salomão, cujos escritos se parecem mais com a literatura pagã.
Naturalmente que os escritos de Salomão não tratam (só) da putaria do poder, mas da relação com a natureza, que as mulheres simbolizam. Diz ele: “Que deliciosas são suas carícias, minha irmã, minha mulher! Seu amor é melhor do que o vinho, e a fragrância do seu perfume melhor do que a de todas as especiarias/ Seus lábios gotejam favos de mel, minha mulher; mel e leite estão debaixo da sua língua, e o cheiro dos teus vestidos é como o cheiro do Líbano/ Você é um jardim secreto, minha irmã, minha mulher, nascente fechada, fonte selada/ De você brota um pomar de romãs com frutas ótimas, com flores de hena e nardo/ Nardo e açafrão, cálamo e canela, com todas as madeiras aromáticas, mirra e aloés e as mais finas especiarias/ Você é uma fonte dos jardins, poço das águas vivas, que vêm do Líbano!”.
E em outro trecho a amada descreve o Rei como se fosse uma encarnação furtiva de Pan, ou um sátiro: “O meu amado é como um gamo, ou um cervo novo/ Vejam, lá está ele atrás do nosso muro, olhando pelas janelas, espreitando pelas grades”. Tenho grande dificuldade em enxergar um pastor evangélico nesse ser sedutor em meio ao bosque.
Voltando ao mundo contaminado. Numa investigação do Ministério Público, surgiu a informação de onde veio parte da terra descartada irregularmente no terreno onde seria levantado campus leste da universidade, em janeiro de 2011. Como é área de proteção, a terra teria que ser analisada e receber licença ambiental. Um engenheiro que avisou o diretor da escola da irregularidade foi ameaçado anonimamente por telefone, em 2013.
Foi o dono da transportadora Ratão quem revelou que a terra foi transportada do terreno do “templo”. Aliás construído fraudulentamente, com base num parecer corrupto de reforma, concedido pelo escroque Husain Aref Saab, da gangue que comandava a fiscalização de obras da prefeitura na gestão Kassab. Que essa terra “sagrada” (not) tenha ido interditar uma universidade pública é de uma suprema ironia. O conhecimento e o Estado Laico também estão entre os humilhados.
Valter Pereira da Silva, o sr. Ratão dessa história, consta ter declarado no inquérito: “Por determinação do governador Geraldo Alckmin, no ano de 2007 o sr. Marcos Alano, responsável pela empresa de terraplanagem Alano, retirou a calha do rio Tietê e todo o entulho oriundo da demolição do Presídio do Carandiru e os jogou na área onde hoje está instalada a USP-Zona Leste (...) Como o declarante estava fazendo serviço de terraplanagem no Templo do Rei Salomão, do bispo Edir Macedo, precisava de um lugar para despejar terra decorrente da escavação para a construção do referido Templo”.
Esse sim é o Deus que eu respeito, o supremo roteirista, que escolhe um nome maravilhoso desses, RATÃO, para compor o roteiro. É dessa “relação com a natureza” que se trata: uma sociedade de patriarcalismo exaltado, em que acumulação e o poder linear substituem qualquer sensibilidade no trato com o mundo material, o mundo natural, dos ciclos e da conservação.
Foi o homem, não a natureza, que inventou os esgotos habitados pelos ratões. A natureza é limpa, mesmo quando é “suja”. São os dejetos e resíduos humanos acumulados que poluem, entopem e destroem nosso planeta. O gosto pelo dinheiro não é “materialista”; pelo contrário. Enxergar valor num pedaço de papel é idealismo puro. E esse papel não surgiu para humilhar.
É desse curtocircuito que se gera quando se prega que o “espírito” (o masculino, o formal, o regrado) é superior à “matéria” (o feminino, o intuitivo, o natural) que as religiões monoteístas se alimentam. O poder pessoal é deslocado para uma fonte externa, pretensamente superior e necessariamente autoritária. A busca humana de uma compreensão ética da vida é terceirizada. O dinheiro se torna superior ao que ele mesmo compra.
Ao contrário de Salomão, as barbas de Edir Macedo simbolizam a autoridade pela autoridade, sem sabedoria, sem substância, sem clemência, sem amor de qualquer tipo, a não ser por ela mesma. É o poder do poder, o dinheiro do dinheiro, o comando do comando, o abuso do abuso. O yang do yang: um mundo que começa e termina no homem e em sua vertigem de poder, sem mulher e sem entorno.
A cabala judaica, que os neopentecostais tentam emular magicamente, trata do equilíbrio entre poder e responsabilidade. O povo “escolhido” não significa os apadrinhados de um deus nepotista, que distribui cargos, benesses e prestígio a quem puxa seu saco. Pelo contrário, significa a presença de Deus na sua ética, nos seus hábitos, de tal forma que a riqueza, a saúde e a justiça se distribuam entre todos os seus filhos, administradas por líderes sábios. (Não que os judeus cabalistas tenham matado a charada, como vemos na Palestina.)
Ver nossas “lideranças” políticas todas sob as barbas de Edir Macedo, senhor de ratões e esgotos, de contaminações e interdições, não tem como nos deixar muito otimistas. É esse espelho distorcido que nossos homens e mulheres públicos procuram: o espelho de Edir e seu “poder”. Inclusive Alckmin, Kassab e agora Haddad, que se põe diretamente na linha de tiro desse escândalo.
Mas que faz todo o sentido, lá isso faz. O cristão-black-block que pixou a parede do “templo” antes da inauguração com um “Atos 17:24” (a passagem bíblica “Deus não habita em templos feitos pelas mãos de homens”) me representa. Porque os humilhados por essa inauguração somos todos nós.

terça-feira, 29 de julho de 2014

AQUI, A EMPIRICUS DANDO AULAS AO PT E SUA REPRESENTAÇÃO NO TSE

 
Nota de esclarecimento
:. Nota de esclarecimento
:. Opinião ou mera constatação histórica?
:. Aula de Google Adwords a quem não estudou Darwin
:. Versão for dummies
:. Aula de Economia a quem não teve
:. Vocação
:. Sobre meu realismo no mercado financeiro
:. É a Economia, estúpido
:. Leia as linhas, somente as linhas
:. Recomendação 1 - 4,1% de lucros em 11 dias (exclusivo para o PRO)
:. Recomendação 2 - 1,54% de lucros em um mês na renda fixa (exclusivo para o PRO)
:. Recomendação 3 - 0,9% de lucros no câmbio em menos de um mês (exclusivo para o PRO)
:. A Dilma ao vivo (exclusivo para o PRO)

(texto escrito excepcionalmente por Felipe Miranda)
00:10- Nota de esclarecimento
Soubemos na sexta-feira que a coligação da presidenta Dilma Rousseff entrou com representação no TSE contra a coligação de Aécio Neves, a Empiricus e o Google, por nossas campanhas na internet. O argumento seria de que, supostamente, faríamos propaganda eleitoral indevida.
Antes do argumento em si em prol da desqualificação de propaganda eleitoral pela Empiricus, cumpre esclarecimento ético e moral. Ao entrar com representação contra Aécio Neves, Empiricus e Google, suponho que a coligação da presidenta entenda que há alguma relação entre as partes.
Posto isso, convido a coligação – e mais quem quiser – a mostrar/provar a existência de relacionamento, em qualquer instância, entre a Empiricus e Aécio Neves.
00:56- Opinião ou mera constatação histórica?
Deixe-me agora explicar um pouco mais sobre as tais campanhas da Empiricus no Google e em outros veículos na internet. Permita-me começar do começo – avançaremos rapidamente.
Relato abaixo a correlação entre a divulgação de pesquisas eleitorais e a reação dos ativos financeiros brasileiros.
No dia 06 de junho, pesquisa do Datafolha mostrou que a presidenta Dilma continuava em queda em relação às pesquisas anteriores. De fevereiro ao início de junho, a queda foi de 10 p.p.. Aumentou o número de eleitores indecisos de 8% para 13%. Numa simulação de segundo turno contra o candidato Aécio Neves, a diferença diminuía 3 p.p. em relação à pesquisa anterior. Ibovespa subiu 3,05%.
No dia 02 de julho, pesquisa do Datafolha divulgou estabilização das intenções de voto em Dilma no segundo turno e um ganho de espaço tanto do candidato Aécio Neves quanto de Eduardo Campos. Ibovespa subiu 1,60%.
No dia 17 de julho, pesquisa do Datafolha mostrou segundo turno com empate técnico entre Dilma (44%) e Aécio (40%). Numa simulação entre a presidenta e Eduardo Campos, o resultado também teve delta diminuído para 45% a 38%. Avaliação positiva do Governo caiu 3 p.p.. Ibovespa subiu 2,47%.
No dia 22 de julho, pesquisa do Ibope mostrou um possível segundo turno entre Dilma e Aécio com 41% para a presidenta e 33% para a oposição, diminuindo o ganho de espaço de Aécio divulgado na pesquisa do Datafolha do dia 17 de julho. Ibovespa caiu 0,97%.
Acrescento manchetes dos mais reputados jornais do país para referendar o argumento. Não sou eu, nem o Santander quem está falando:
Da Folha, em 6 de junho:
 
 
 
Do Estadão, em 18 de julho:
 
 
Do Globo, em 27 de março:
 
 
Não há requisito algum de treinamento em estatística para constatar o óbvio: pesquisas favoráveis a Dilma Rousseff implicam, ceteris paribus, depreciação dos ativos financeiros brasileiros. Reitero: isso não é opinião, é fato.
Os mercados reagem de forma diferente a maiores possibilidades em favor de Aécio e de Dilma. Evidentemente, não há nenhum prognóstico de que haja uma ruptura dessa correlação. Se foi assim no passado e está sendo assim no presente, assume-se que a mesma dinâmica continuará à frente, posto que não há fatos novos representando uma quebra estrutural no processo.
Peço a gentileza de que guardem esse ponto. Voltarei a ele.
01:43- Aula de Google Adwords a quem não estudou Darwin
Apresento abaixo as campanhas publicitárias no Google que geraram descontentamento na coligação de Dilma Rousseff.
 
 
 
Como se faz normalmente campanhas no Google? Nós acreditamos apenas no teste e na observação. É assim que se faz ciência.
A princípio, você não sabe qual campanha publicitária será rentável ou não. Então, lançam-se vários anúncios simultâneos no ambiente do Google. Eles passam a concorrer entre si e, num processo semelhante à seleção natural, uns performam melhor do que outros. O próprio Google, através de seus algoritmos, identifica os mais adaptados e, por relevância, passa a imprimir com maior frequência os mais aptos.
A Empiricus, por sua vez, respeitados os princípios da ética, retira do ar os anúncios anteriores que vinham performando mal, deixando apenas os melhores – ninguém vai fazer campanha publicitária para perder dinheiro.
Apresento abaixo todos os demais anúncios relativos a Dilma Rousseff, Aécio Neves e Eduardo Campos. Colocamos todos eles no Google originalmente. O processo de seleção natural darwinista mostrou-nos que os dois mais aptos eram justamente os supracitados.
 
 
 
 
02:00- Versão for dummies
Aos pouco familiarizados, explico em detalhes a natureza de campanhas publicitárias no Google. Funciona assim: a empresa anunciante (no caso, Empiricus) monta seus anúncios a serem veiculados nos mecanismos de busca do Google (search) e também nos variados sites (display) - aqui, vou me concentrar no display, que parece o foco da discussão.
O Google, através de seus algorismos capazes de identificar relação entre os temas dos sites e dos anúncios, passa a imprimir as diversas campanhas nos tais sites. Note que, no momento da visualização apenas, não há ainda qualquer pagamento da empresa anunciante ao Google e/ou aos sites. Dá-se o primeiro desembolso apenas quando há clicks nos anúncios. Somente ocorrendo o click, a Empiricus paga o Google, que repassa um percentual aos respectivos sites.
Obviamente, o Google e os sites com links patrocinados querem faturar. Portanto, é de seu interesse maximizar o número de clicks.
Dessa forma, os algoritmos do Google premiam os anúncios mais clicados, que passam a ser impressos com maior frequência. Então, o sucesso de um anúncio específico (medido pelos clicks) entra num processo de retroalimentação (mais clicks, mais impressões, mais clicks...). É assim que sempre acontece. É assim que aconteceu conosco.
Fica claro, portanto, que as campanhas publicitárias no Google têm única e exclusivamente interesse financeiro e econômico, sem qualquer veiculação política - e refletem preferências da demanda.
02:31- Aula de Economia a quem não teve
Há três princípios a serem perseguidos na Economia, a saber:
(i) Eficiência, entendida sob a ótica paretiana, ou seja, de que as alocações ótimas são aquelas em que você não pode melhorar a situação de alguém sem piorar a de outrem;
(ii) Equidade horizontal, com referência ao tratamento igualitário aos iguais; e
(iii) Equidade vertical, com referência ao tratamento não igualitário aos desiguais.
Agora retomo o ponto original. Ora, se é um fato – e não uma opinião - que os mercados reagem de forma diferente a Aécio (e Campos) ou Dilma, então não se pode, ao falar dos mercados, dar tratamento igualitário a Aécio e Dilma. Questão de equidade vertical. De novo, não se trata de propaganda eleitoral, mas de um princípio essencial estudado na Economia, do qual um economista/financista não pode fugir ao fazer sua análise.
É o que nós fazemos, por vocação. É o mesmo que o Santander fez. A diferença é de que nós não pediremos desculpas por falar a verdade e aconselhar, sem qualquer parcialidade, apoiados apenas em fatos, nossos clientes e leitores.
Lembro de episódio recente. Em evento na Bahia no dia 27 de junho, o ex-presidente Lula alertou, sob o contexto das reações da Bolsa, que o mercado não elege presidente. Essa seria uma função do povo. O que há implícito no racional? O próprio Lula reconhece que o mercado não gosta de Dilma – portanto, a Bolsa cai e o dólar sobe com maior probabilidade de reeleição. O ex-presidente, usando outras palavras, disse o mesmo que o Santander.
Posto que os dois disseram a mesma coisa, então, das duas, uma: i) o Santander não fez propaganda eleitoral, contrariando as acusações do governo; ou ii) Lula fez campanha eleitoral, contra seu próprio partido.
02:56- Vocação
Nossa razão de existir sustenta-se na associação de cenários e probabilidades a seus respectivos impactos sobre os ativos financeiros. Ao tentar censurar isso sob a pretensa alegação de propaganda eleitoral gratuita, a coligação de Dilma tenta restringir não somente a Empiricus, mas o próprio fomento de consultorias independentes.
Se não podemos falar das eleições durante o período eleitoral, justamente quando seu impacto nos mercados é relevante, quando o faremos? Quando não tiver a menor importância?
03:17- Sobre meu realismo no mercado financeiro
A representação contra Empiricus, Aécio e Google (não necessariamente nessa mesma ordem) acusa minha tese de título “O Fim do Brasil?”  de terrorismo no mercado financeiro. Caso você ainda não tenha assistido ao vídeo, recomendo fortemente que o faça. Ele já foi visto por uma infinidade de pessoas e tem se espalhado numa velocidade assustadora.
No Brasil é assim: com ajuda do japonês, a gente sofre para ganhar da Croácia. Empata com México e passa um calorzinho no primeiro tempo contra Camarões. Empata com a potência Chile e sofre para passar da Colômbia. Vamos jogar contra a Alemanha e estão todos otimistas.
Em toda a Copa, fizemos apenas um bom primeiro tempo nas oitavas de final e foi o suficiente para resgatar a mística da amarelinha.
Política econômica não se faz com mística, meia marrom da sorte do Arnaldo César Coelho ou otimismo. Faz-se com realismo e respeito a séculos de conhecimento acumulado. Inventar uma nova matriz econômica parece mais com terrorismo do que o apontamento de ferimentos à ortodoxia e ao clássico tripé macroeconômico.
Foi este otimismo que nos fez tomar de 7x1 da Alemanha. É a mesma incapacidade de enxergar a realidade que nos faz tomar 7% (6,5% para ser preciso) da inflação  x 1% de crescimento (0,9% para ser preciso).
A tese sobre o Fim do Brasil  não é pessimista. Ela é realista, feita por um apaixonado pelo seu país, que não pode furtar-se à sua vocação de dar as melhores recomendações de investimento a seus clientes. Trata-se de uma abordagem construtiva, que mostra como preparar-se para a crise que, no meu entendimento, está se formando. Se, na opinião da coligação de Dilma, não há crise nesses placares 7x1, eu respeito. O padrão Empiricus é outro.
03:55- É a Economia, estúpido
Ao tentar dar contornos políticos a uma tese econômica, a coligação da situação tenta limitar o debate em torno da economia. Por uma razão simples: não querem debater a economia. Tentam tornar a coisa superficial e esconder o que realmente importa.
Se o debate fosse de um nível minimamente profundo, eu não precisaria explicar que a suposição sobre O Fim do Brasil é metafórica, meramente ilustrativa. Pessoas, coisas, empresas e animais podem acabar. Países, não. Meu argumento é de que nasceu um novo País com a estabilização da economia em 1994, cuja idade adulta é atingida em 1999 com a adoção do tripé macroeconômico. Quando, em reação à crise de 2008, abandonamos o tripé e migramos para a chamada nova matriz econômica, simplesmente matamos o que havia sido construído.
Para não restar dúvidas, deixo aqui, totalmente gratuito, o primeiro relatório da série O Fim do Brasil, escrito há algumas semanas. O parágrafo inicial é explícito ao relacionar a tese a uma metáfora.
04:17- Leia as linhas, somente as linhas
Para atestar que a abordagem é construtiva e não destrutiva como os superficiais tentam argumentar, mostro na parte PRO  algumas das recomendações feitas até agora pela série O Fim do Brasil  – evidencio como os assinantes já puderam ganhar dinheiro e como poderão aumentar ainda mais seu patrimônio, em qualquer cenário.
Ninguém vai nos calar. Estamos mais fortes.
Encerro a argumentação com uma homenagem ao monstro sagrado João Ubaldo Ribeiro. Por que os bons vão embora antes?
“Há muita gente, gente demais, que lê nas entrelinhas, um perfeito exercício de imbecilidade, defesa neurótica contra a realidade ou, em inúmeros casos, o achar-se tão sabido que se acaba sendo besta. Não existe essa coisa de entrelinhas. Pelo menos nos livros honestos, como este, não há nada nas entrelinhas, tudo deve ser procurado nas linhas, aqui não são oferecidas entrelinhas, à merda o entrelinhador, pode largar este livro e ir gastar seu tempo ruminando o bolo alimentar de sempre. Melhor do que ler textos diretos querendo ser esperto e vendo nele coisas indiretas.”

quinta-feira, 24 de julho de 2014

A COPA E OS 2 BRASIS: BRASILDINÁVIA E BRASILQUISTÃO


Num passe de mágica, que o jeitinho brasileiro conhece bem, conseguiram ludibriar os jornalistas estrangeiros, durante a Copa do Mundo, escondendo deles o Brasilquistão (o Brasil que não deu certo: violento, desigual, desumano, concentrador de riquezas, pobre, sujo, sangrento, corrupto, serviços públicos de quinta categoria etc.). Mostraram para eles o Brasildinávia (o Brasil que está com a ponta da proa virada para a Escandinávia). Mais da metade dos 438 jornalistas pesquisados (pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas, contratada pelo Ministério do Turismo) tiveram suas expectativas superadas e quase 100% (98,6%) acharam o mundial “muito bom” ou “bom”; 96,5% recomendariam uma viagem ao Brasil. As avaliações positivas deles foram as seguintes: aeroportos: 88% de aprovação; táxi: 87,7%; segurança pública: 81,8%; rodovias: 81,6%; limpeza pública: 80,4%; sinalização de trânsito e turística: 75,9%; disponibilidade de voos no Brasil: 75,1%; rodoviárias interestaduais: 69,5%; mobilidade urbana: 67,9%; telefonia e acesso à internet: 52,1%; imagem do Brasil após a Copa: melhorou (59,4%) (Carta Capital 23/7/14: 26).
O que eles não viram? Não viram o Brasilquistão, com 276 mortes epidêmicas e diárias (154 assassinatos e 122 óbitos no trânsito) e mais de 101 mil anual. Viram a tragédia do nosso futebol (10 a 1, em dois jogos), mas não sentiram o drama na economia (que não cresce e ainda padece de forte inflação), na saúde (pessoas morrendo nas portas dos hospitais), nos transportes públicos fora da Copa (e fora dos feriados), na segurança pública (o Brasil é o 12º país mais violento do planeta e 16 das 50 cidades mais homicidas estão aqui), na indústria (que está ultrapassada), nas comunicações (que funcionam precariamente), na educação (3/4 da população é analfabeta funcional), na inovação, no uso inteligente das tecnologias, na burocracia, na política corrupta, nos partidos decréptos, na Justiça que tarda, na polícia que mata (e que também morre, no genocídio estatal), na criminalidade organizada que expande etc.
Durante o mês da Copa as televisões e rádios monopolizaram suas atenções no futebol. Ficamos com a impressão de que os furtos, roubos, latrocínios, tiros, assassinatos e corrupções tinham tirado férias. Todo esse inferno diário foi eclipsado para se mostrar o paraíso (cheio de Adãos e Evas nús e sensuais, escondendo-se obviamente as serpentes e seus ovos). Como é fantástica a sensação do Brasildinávia e como é massacrante e torturante o nosso diaadia de Brasilquistão, com tiroteios diários nas favelas “pacificadas”, com mortes nas portas dos hospitais, com ignorância dentro das escolas, com políticos filiados embolsando o dinheiro da corrupção financiada por empresas e bancos… Que calmaria ver nas televisões apenas tiros de meta (não de canhões do Exército), tirombaços aos gols (não contra os jovens negros), ataques eficientes das seleções (não os ataques nas ruas contra nossa integridade).
O paraíso se instalou no lugar do inferno, mas este está voltando ao seu “normal” (errático, sorumbático e morfético). Foi elogiada a segurança nos estádios e das equipes, sem se dizer que estamos em pleno regime de exceção (a ponto de se mobilizar em todo momento o Exército, que só atua em situações excepcionais). Eliane Castanhêde (Folha 22/7/14: A2) foi informada de que mais de 12 mil argentinos foram vítimas de roubo/furto (segundo o G1), os furtos nos trens, metrôs e ônibus aumentaram 379% em São Paulo e por aí vai. Os números completos sairão nos próximos dias. Esse Brasilquistão(que é o que nos pega no cotidiano) não tem nada a ver com o Brasildinávia que os jornalistas estrangeiros viram. Eles acharam bonitas até mesmo as nossas indecentes rodoviárias! (“sabe de nada, inocente”).
Luiz Flávio Gomes
Professor

terça-feira, 22 de julho de 2014

ISSO É DIVIDENDO PARA VOCÊ?

 
 
Isso é dividendo para você?

Imagine a seguinte cena:
Mais uma vez, Eletrobras precisa de dinheiro. Enésima vez.
Como se trata de uma estatal pessimamente gerida, ela está sempre precisando de uma graninha para fechar as contas no fim do mês.
Por "graninha", entenda (desta vez) R$ 6,5 bilhões.
De praxe, vamos então buscar empréstimos para Eletrobras.
O Governo convoca todos os principais bancos brasileiros, pede uma força e - como lastro à dívida - concede garantias da própria União.
Qual é o resultado?
Nenhum banco privado topa a parada. Nenhum.
Bradesco, Itaú e Santander tiram o corpo fora, receosos quanto à verdadeira qualidade dessas garantias.
Ninguém quer assumir a trolha da Eletrobras.
Ou quase ninguém.
No fim das contas, tudo acaba bem. Banco do Brasil empresta R$ 4 bilhões e a Caixa empresta outros R$ 2,5 bilhões.
Ano passado, o BNDES já havia financiado R$ 2,5 bilhões para ELET, com aval do Tesouro.
Liguemos os pontos.
O Governo (BNDES, BB e CEF) empresta dinheiro para o Governo (Eletrobras).
Onde vai parar essa grana?
Em dividendos de Eletrobras para... o próprio Governo! Assim dá pra fazer superávit terciário.
Se quiser, você pode pegar carona nessa triangulação estatal para botar uns dividendos no bolso também.
Se não quiser, garanto para você que há outras maneiras - bem mais nobres - de gerar renda em Bolsa.
Nossas Vacas Leiteiras pagam grandes dividendos com geração de caixa, não com dívida.
Elas não dependem de garantias da União.
No fim das contas, tudo acaba bem melhor. Principalmente para você, investidor privado.