02:00- Versão for dummies
Aos pouco familiarizados, explico em detalhes a natureza de campanhas publicitárias no Google. Funciona assim: a empresa anunciante (no caso, Empiricus) monta seus anúncios a serem veiculados nos mecanismos de busca do Google (search) e também nos variados sites (display) - aqui, vou me concentrar no display, que parece o foco da discussão.
O Google, através de seus algorismos capazes de identificar relação entre os temas dos sites e dos anúncios, passa a imprimir as diversas campanhas nos tais sites. Note que, no momento da visualização apenas, não há ainda qualquer pagamento da empresa anunciante ao Google e/ou aos sites. Dá-se o primeiro desembolso apenas quando há clicks nos anúncios. Somente ocorrendo o click, a Empiricus paga o Google, que repassa um percentual aos respectivos sites.
Obviamente, o Google e os sites com links patrocinados querem faturar. Portanto, é de seu interesse maximizar o número de clicks.
Dessa forma, os algoritmos do Google premiam os anúncios mais clicados, que passam a ser impressos com maior frequência. Então, o sucesso de um anúncio específico (medido pelos clicks) entra num processo de retroalimentação (mais clicks, mais impressões, mais clicks...). É assim que sempre acontece. É assim que aconteceu conosco.
Fica claro, portanto, que as campanhas publicitárias no Google têm única e exclusivamente interesse financeiro e econômico, sem qualquer veiculação política - e refletem preferências da demanda.
02:31- Aula de Economia a quem não teve
Há três princípios a serem perseguidos na Economia, a saber:
(i) Eficiência, entendida sob a ótica paretiana, ou seja, de que as alocações ótimas são aquelas em que você não pode melhorar a situação de alguém sem piorar a de outrem;
(ii) Equidade horizontal, com referência ao tratamento igualitário aos iguais; e
(iii) Equidade vertical, com referência ao tratamento não igualitário aos desiguais.
Agora retomo o ponto original. Ora, se é um fato – e não uma opinião - que os mercados reagem de forma diferente a Aécio (e Campos) ou Dilma, então não se pode, ao falar dos mercados, dar tratamento igualitário a Aécio e Dilma. Questão de equidade vertical. De novo, não se trata de propaganda eleitoral, mas de um princípio essencial estudado na Economia, do qual um economista/financista não pode fugir ao fazer sua análise.
É o que nós fazemos, por vocação. É o mesmo que o Santander fez. A diferença é de que nós não pediremos desculpas por falar a verdade e aconselhar, sem qualquer parcialidade, apoiados apenas em fatos, nossos clientes e leitores.
Lembro de episódio recente. Em evento na Bahia no dia 27 de junho, o ex-presidente Lula alertou, sob o contexto das reações da Bolsa, que o mercado não elege presidente. Essa seria uma função do povo. O que há implícito no racional? O próprio Lula reconhece que o mercado não gosta de Dilma – portanto, a Bolsa cai e o dólar sobe com maior probabilidade de reeleição. O ex-presidente, usando outras palavras, disse o mesmo que o Santander.
Posto que os dois disseram a mesma coisa, então, das duas, uma: i) o Santander não fez propaganda eleitoral, contrariando as acusações do governo; ou ii) Lula fez campanha eleitoral, contra seu próprio partido.
02:56- Vocação
Nossa razão de existir sustenta-se na associação de cenários e probabilidades a seus respectivos impactos sobre os ativos financeiros. Ao tentar censurar isso sob a pretensa alegação de propaganda eleitoral gratuita, a coligação de Dilma tenta restringir não somente a Empiricus, mas o próprio fomento de consultorias independentes.
Se não podemos falar das eleições durante o período eleitoral, justamente quando seu impacto nos mercados é relevante, quando o faremos? Quando não tiver a menor importância?
03:17- Sobre meu realismo no mercado financeiro
A representação contra Empiricus, Aécio e Google (não necessariamente nessa mesma ordem) acusa minha tese de título “
O Fim do Brasil?” de terrorismo no mercado financeiro. Caso você ainda não tenha assistido ao vídeo, recomendo fortemente que o faça. Ele já foi visto por uma infinidade de pessoas e tem se espalhado numa velocidade assustadora.
No Brasil é assim: com ajuda do japonês, a gente sofre para ganhar da Croácia. Empata com México e passa um calorzinho no primeiro tempo contra Camarões. Empata com a potência Chile e sofre para passar da Colômbia. Vamos jogar contra a Alemanha e estão todos otimistas.
Em toda a Copa, fizemos apenas um bom primeiro tempo nas oitavas de final e foi o suficiente para resgatar a mística da amarelinha.
Política econômica não se faz com mística, meia marrom da sorte do Arnaldo César Coelho ou otimismo. Faz-se com realismo e respeito a séculos de conhecimento acumulado. Inventar uma nova matriz econômica parece mais com terrorismo do que o apontamento de ferimentos à ortodoxia e ao clássico tripé macroeconômico.
Foi este otimismo que nos fez tomar de 7x1 da Alemanha. É a mesma incapacidade de enxergar a realidade que nos faz tomar 7% (6,5% para ser preciso) da inflação x 1% de crescimento (0,9% para ser preciso).
A tese sobre o
Fim do Brasil não é pessimista. Ela é realista, feita por um apaixonado pelo seu país, que não pode furtar-se à sua vocação de dar as melhores recomendações de investimento a seus clientes. Trata-se de uma abordagem construtiva, que mostra como preparar-se para a crise que, no meu entendimento, está se formando. Se, na opinião da coligação de Dilma, não há crise nesses placares 7x1, eu respeito. O padrão Empiricus é outro.
03:55- É a Economia, estúpido
Ao tentar dar contornos políticos a uma tese econômica, a coligação da situação tenta limitar o debate em torno da economia. Por uma razão simples: não querem debater a economia. Tentam tornar a coisa superficial e esconder o que realmente importa.
Se o debate fosse de um nível minimamente profundo, eu não precisaria explicar que a suposição sobre O Fim do Brasil é metafórica, meramente ilustrativa. Pessoas, coisas, empresas e animais podem acabar. Países, não. Meu argumento é de que nasceu um novo País com a estabilização da economia em 1994, cuja idade adulta é atingida em 1999 com a adoção do tripé macroeconômico. Quando, em reação à crise de 2008, abandonamos o tripé e migramos para a chamada nova matriz econômica, simplesmente matamos o que havia sido construído.
Para não restar dúvidas,
deixo aqui, totalmente gratuito, o primeiro relatório da série O Fim do Brasil, escrito há algumas semanas. O parágrafo inicial é explícito ao relacionar a tese a uma metáfora.
04:17- Leia as linhas, somente as linhas
Para atestar que a abordagem é construtiva e não destrutiva como os superficiais tentam argumentar, mostro na parte
PRO algumas das recomendações feitas até agora pela série
O Fim do Brasil – evidencio como os assinantes já puderam ganhar dinheiro e como poderão aumentar ainda mais seu patrimônio, em qualquer cenário.
Ninguém vai nos calar. Estamos mais fortes.
Encerro a argumentação com uma homenagem ao monstro sagrado João Ubaldo Ribeiro. Por que os bons vão embora antes?
“Há muita gente, gente demais, que lê nas entrelinhas, um perfeito exercício de imbecilidade, defesa neurótica contra a realidade ou, em inúmeros casos, o achar-se tão sabido que se acaba sendo besta. Não existe essa coisa de entrelinhas. Pelo menos nos livros honestos, como este, não há nada nas entrelinhas, tudo deve ser procurado nas linhas, aqui não são oferecidas entrelinhas, à merda o entrelinhador, pode largar este livro e ir gastar seu tempo ruminando o bolo alimentar de sempre. Melhor do que ler textos diretos querendo ser esperto e vendo nele coisas indiretas.”
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