sexta-feira, 16 de outubro de 2026

 AMOR NÃO SE IMPÕE

Pra. Maria Luísa Duarte Simões Credidio

"Caminhando ao longo do mar da Galiléia, Jesus viu dois irmãos: Simão, chamado Pedro e André, seu irmão. Estavam lançando a rede ao mar, pois eram pescadores. Jesus lhes disse: 'Vinde comigo, e eu farei  de vós pescadores de gente'. Deixando imediatamente as redes, eles o seguiram. Indo mais adiante, viu outros dois irmãos, Tiago, filho de Zebedeu e João, seu irmão. Juntamente com seu pai Zebedeu, consertavam as redes no barco. Jesus os chamou. Imediatamente deixaram o barco e o pai, e o seguiram." 
Mt 4.18-22


     Este Evangelho fala da vocação dos primeiros apóstolos. Eles mudaram de profissão e deixaram seus pais para fazerem aquilo que o coração andava. Segundo me consta, Zebedeu como um pai que ama seus filhos, se preocupou, instruiu, orou muito por eles e depois ,os  entregou tudo mais, nas mãos de Deus. Essa liberdade me faz lembrar de um casal muito unido. Ela, desde a lua de mel, levantava-se bem cedinho para fazer e servir o café ao marido. Nunca lha preparava o lanche com o bico do pão, pois achava que os dentes dele eram muito sensíveis. Ela preferia a parte mais macia do pão, porém, não lhe restava outra alternativa, só lhe sobravam os bicos. Portanto, comer o bico do pão era seu sacrifício diário. Oferecia tudo por amor ao marido e a Deus.
     No dia em que completavam vinte e cinco anos de casados, ele decidiu buscar o pão e preparar o lanche matinal. Ao voltar com dois pães, ela estranhou, pois um só já era suficiente. Ao questioná-lo, obteve a seguinte resposta:
"Hoje é dia de festa e merece uma comemoração especial, por isso eu não vou abrir mão de comer o lanche que eu gosto, um sanduíche crocante preparado com o bico do pão. Este é o meu presente de aniversário. O outro pão é para você fazer seu lanche, só com os bicos, do modo que você tanto gosta."
     Parece brincadeira, mas foram necessários todos esses anos para se conhecerem. Certamente faltou diálogo. Comemoraram as bodas de prata de um sacrifício inútil. Ela imaginando estar fazendo o melhor por ele, simplesmente assumiu o sacrifício. Ele, sem questionar, sem dialogar e sem se preocupar com detalhes, tirou suas conclusões e também partiu para o sacrifício. Tudo por ela, tudo por amor.
     Quantas vezes tomamos atitude como esta com relação a nossos filhos. Imaginando saber o que é melhor para eles, colocamos em prática nossos planos sem consulta, sem diálogo e sem a menor preocupação em saber o que acham daquilo tudo. Algumas vezes, empurramos nossos filhos para a vida religiosa, outras vezes, sem medir consequências, simplesmente tentamos tirar essas idéias de suas cabeças. Fazemos tudo por amor.
     Na maioria das vezes interferimos na escolha profissional do jovem. Achamos que formando em determinada profissão, ele terá um futuro garantido, mais lucrativo e estará livre do desemprego. Procurando preservá-lo, escolhemos a melhor faculdade e o empurramos para uma carreira que ele nem sonhava abraçar. Resultado:anos de sacrifícios que geram,, no máximo, profissionais medíocres que nunca sentirão o sabor da realização profissional.
     Quem ama liberta. Essa interferência pode ser prejudicial, pode aprisionar. Qualquer função exige duas coisas que não se compram: dom e vocação. Podemos ajudar nossos filhos a exercitar seus maxilares, mas não podemos mastigar por ele.
     Estaremos ajudando nosso filho se nos sentarmos ao seu lado, mostrarmos os prós e os contras e o deixarmos livre para responder a esta pergunta:
     "É isso mesmo que você quer para o futuro? Quer moleza ou prefere mastigar algo mais crocante?". Em qualquer situação,filho, que Deus o abençoe"


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