terça-feira, 27 de janeiro de 2026

 Força para viver

Pra. Maria Luísa Duarte Simões Credidio

Palavra de Deus:

"Porque não recebestes o espírito de escravidão para outra vez estardes com temor, mas recebestes o espírito de adoração, pelo qual chamas Abba Pai"

Rm 8:15


Palavra de homens:

"Viver é muito perigoso...porque aprender  a viver é o que é viver mesmo... Travessia perigosa, mas é a da vida. Sertão que alteia  e abaixa...O mais difícil não é um ser bom, e proceder honesto, dificultoso mesmo, é um saber definido o que quer, e ter o poder de ir até o rabo da palavra."


Viver é muito perigoso, dizia Guimarães Rosa pela boca do memorável Riobaldo. A vida tem mesmo seus altos e baixos e, além da dificuldade de saber a direção, falta a cada um a força e a competência de seguir em frente. Os obstáculos  se multiplicam. A ida é contingente: cheia de imprevistos e surpresas, boas e ruins. Uma proposta para morar longe, um diagnóstico inesperado, a chegada de um bebê, um assalto, um desmoronamento, o cancelamento do vôo, a festa de  aniversário, os amigos ao redor da mesa e a demissão inesperada. Além disso, a doença da mãe, o imposto de renda, as aventuras dos filhos e o sobrepeso, obesidade mesmo, denunciada pelo espelho e pela calça que já não se usa mais. E tem também aquela teimosia dos vícios, as dores da alma, a insegurança emocional, os conflitos racionais, a culpa, o medo, a ansiedade e a síndrome do pânico- ai que medo! Tem que arrumar o quarto, buscar a roupa na lavanderia, votar para presidente e superar o divórcio. O show não pode parar. E porque viver é muito perigoso, aprender a viver é imperativo.

Como enfrentar a travessia? Já que navegar é preciso e viver não é preciso, como dizia o poeta português. Viver é necesário. É preciso viver, não há que desistir da vida. Mas viver é perigoso, justamente porque não é preciso- não é exato. Não é possível singrar a vida como quem corta os mares. A gente que ter voz ativa, no nosso destino mandar, mas eis que  chega a roda viva e carrega o destino pra lá, disse o Chico brasileiro.

Acho que foi isso que o sábio Salomão começou a escrever em Eclesiastes. Queria aprender a viver. Dedicou o coração para saber, inquirir e buscar a sabedoria e a razão das coisas. E concluiu que a verdade está no distante e profundo. A vida é mistério. Viver continuará sendo sempre perigoso.

Então apareceu Jesus. Não negou a contingência da vida, nem iludiu os seus com promessas falsas e fantasiosas. Mas apontou um caminho. Apresentou seu Pai aos homens e os homens ao seu Pai. Autorizou todo mundo a buscar, usar e abusar de seu Pai.

Jesus disse a todos: Chamem pelo Abba. Ele os ouvirá. Falem com ele em meu nome. Batam na porta. Busquem. Peçam. Gritem. Importunem meu Pai, de dia e de noite. A porta se abrirá. Vocês acharão o meu Pai. Vocês receberão respostas. Serão recompensados pela sua busca, jamais ficarão sem galardão. Meu Pai é amor. Não tenham medo dele. Corram para os braços dele. Ele cuida de flores e passarinhos. Vai cuidar de vocês. Sigam os meus passos. Foi o que fiz. Fechem a porta do quarto e façam suas orações. Eu atravessei a vida de joelhos. E venci. Eu venci o mundo, eu venci o mal, eu venci a morte. E vocês também poderão vencer. Não desistam. Não tenham medo. Viver é perigoso. Mas a graça do meu Pai é maior que a vida.

 CUIDADO AO ORAR POR ENFERMOS!

BASEADA EM MINISTRAÇÃO DE BILLY GRAHAM




     A principal ministração de Billy Graham sobre orar por enfermos destaca que o maior erro é não submeter o pedido à vontade soberana de Deus, tratando a oração como uma exigência de cura física imediata, em vez de buscar a cura espiritual e a soberania divina, focando apenas no corpo e esquecendo a alma. 

Aqui estão os pontos críticos da abordagem de Billy Graham sobre a oração por enfermos:

  • Submissão à Vontade de Deus: Graham enfatizava que a oração deve ser feita em nome de Jesus e sempre com o entendimento de que a vontade de Deus prevalece, aceitando que a cura pode não ser física naquele momento, mas espiritual ou eterna.
  • Foco na Cura da Alma: O erro crítico apontado é focar exclusivamente no corpo físico. A cura da alma, segundo ele, é prioritária e traz, em última instância, a restauração completa.
  • A Oração da Fé (Tiago 5): Ele valorizava a oração com unção descrita em Tiago, mas a interpretava como uma entrega total do enfermo ao Senhor, confiando que Ele sabe o que é melhor, seja a cura ou a paz no sofrimento.
  • A Alma como Foco Principal: O ensinamento aponta que, às vezes, a aflição física é permitida para gerar um retorno espiritual a Deus. Portanto, orar apenas pela remoção da dor sem buscar o arrependimento ou o propósito divino é um erro. 
Em suma, Graham incentivava a oração fervorosa, mas com a humildade de entender que Deus é soberano sobre a vida e a morte, e que o propósito final é o bem eterno do indivíduo, não apenas o conforto terreno. 

 

Maria Luísa maludsc@gmail.com

11 de jan. de 2023, 10:47
para SEMTVB
  A NUMEROLOGIA BÍBLICA
Pra. Maria Luísa Duarte Simões Credidio

   Devemos prestar muita atenção ao valor dos números na Bíblia, sobretudo no texto hebraico, pois estamos diante de uma mentalidade diferente da nossa. Os números, na maioria das vezes, não querem transmitir uma quantidade exacta, um dado preciso, mas sim expressar uma realidade, um valor teológico, um dado simbólico. Vejamos o significado dos principais números e alguns exemplos interessantes, assim como algumas passagens bíblicas onde o número aparece:

1 (um): Deus é Um (Dt 6,4; Zc 14,9);  

2 (dois): É o par perfeito. Dos animais puros, Noé levará para a arca sempre pares (Gn 7,2). É o dobro e pode significar "de sobra", como em Is 40,2; 61,7; Ap 18,6;

 3 (três): Número da unidade e da Trindade. É usado para reforçar ou dar ênfase a uma expressão. Assim, quando se quer dizer que Deus é Santo, repete-se três vezes: «Deus é Santo, Santo, Santo» (Is 6,3; Ap 4,8). Deus abençoa três vezes (Nm 6,24-26). Três são os mensageiros que anunciam o nascimento de Isaac (Gn 18,1ss). É o número da plenitude (Ap 21,13) e da santidade (Ap 4,8);

4 (quatro): Número da totalidade: os quatro cantos da terra; quatro evangelhos; quatro Seres vivos (Ap 4,6; 7,1; 20,8). Os quatro elementos do universo: terra, fogo, água e ar. Quadrangular (Ap 21,16). Representa sinal de plenitude. 

5 (cinco): Cinco dedos da mão. O primeiro bloco da Bíblia (a Lei) tem 5 livros, o Pentateuco. No Apocalipse pode ser negativo;

6 (seis): Número imperfeito, não chegou à perfeição, que é o número 7. No Apocalipse (13,18) é repetido três vezes, por isso o número da besta é 666. Imperfeição total!  

7 (sete): É a soma de 4 + 3. Por isso é o número perfeito, indica o máximo da perfeição (Nm 23,4; Mt 15,36); grande quantidade (Is 30,26; Pr 24,16; Mt 18,21); totalidade (Ap 1,4); indica séries completas como no Apocalipse: 7 Cartas (Ap 2-3); 7 Selos (Ap 6,1-17); 7 cabeças (Ap 12,3). O Cordeiro imolado recebe 7 dons (Ap 5,12). O sábado é o sétimo dia; Deus fez a Criação em 7 dias; a festa de Pentecostes acontece 7 vezes 7 dias depois da Páscoa. Cada sétimo ano é sabático (descanso para a terra e libertação dos oprimidos – Lv 25) e depois de 7 vezes 7 anos vem o Jubileu. Não se deve perdoar 7 vezes, mas 70 vezes 7 (Mt 18,22). Sansão tem 7 tranças. É importante ver que no Apocalipse aparece a metade de 7, isto é 3,5 (Ap 11,9). Às vezes diz-se: um tempo, dois tempos, meio tempo (Ap 12,14; Dn 7,25), isto é três anos e meio. Também pode ser 42 meses (Ap 11,2), é igual a 1.260 dias (Ap 12,6), isto é, sempre a metade de 7. É a duração limitada das perseguições. É o tempo controlado por Deus.
 
8 (oito): É sete mais um, é como que o transbordar da plenitude. As bem-aventuranças em Mateus são sete mais uma (Mt 5). 

9 (nove): Na numerologia bíblica, o número 9 frequentemente simbolizafinalidade, o juízo divino e o término de um ciclo. Ele representa o movimento perfeito de Deus, a paciência e, em alguns contextos, a plenitude da bênção ou do Espírito Santo, como nos nove dons e frutos do Espírito descritos em Gálatas. Aqui estão os significados detalhados do número 9:
Finalidade e Juízo: Muitas vezes usado para indicar o fim de uma obra ou o momento de julgamento, representando a conclusão de um processo, tanto para julgamento quanto para bênção.
Plenitude do Espírito/Dons: Associado ao "Fruto do Espírito" (amor, alegria, paz, etc.), que possui nove características (Gálatas 5:22-23), e aos nove dons do Espírito Santo (1 Coríntios 12).
Momento de Devoção e SACRÍFICIO: Cristo morreu na 9ª hora (3 da tarde), simbolizando o sacrifício supremo, enquanto a primeira páscoa no deserto foi no 9º capítulo de Números, marcando a dedicação.
Tempo de Punição/Tristeza: Em alguns contextos, o número 9 está ligado à dor ou ao período de luto, como no caso da destruição do Templo em Tisha B'Av.
Ação de Deus: Representa um número de paciência, referindo-se ao tempo de espera pelo cumprimento das promessas divinas. 

10 (dez): Indica grande quantidade (Gn 31,7) ou é simplesmente um número redondo (Mt 25,1). Indica também listas completas. Pelos dez dedos das mãos é fácil lembrar a lista. Indica um tempo limitado; curta duração (Dn 1,12.14; Ap 2,10). Pode indicar também imperfeição: a besta só tem 10 chifres (Ap 12,3).

11 (onze): Na numerologia bíblica, o número 11 representa desordem, desintegração, caos, juízo e imperfeição, situando-se entre o 10 (ordem divina/lei) e o 12 (governo divino/perfeição). Frequentemente associado a eventos de desagregação, desobediência ou provação, ele destaca rupturas na ordem estabelecida, embora também possa indicar o início de um novo tempo ou provação. 
Significados e Exemplos do Número 11:
Desordem e Desintegração: O 11 simboliza a quebra do 10 (perfeição divina), representando o caos e a desunião.
Perda e Traição: Judas Iscariotes, o traidor, reduziu o número de apóstolos para 11, causando desorganização temporária.
Conflito e Julgamento: A rebelião na Torre de Babel (Gn 11) ou os 11 dias de jornada de Horebe a Cades-Barnéia, que se tornaram 40 anos de deserto, evidenciam provações e desobediência.
Exemplos Bíblicos:
-Filhos de Jacó: José foi vendido e tirado dos seus irmãos, reduzindo temporariamente os 12 para 11, gerando desintegração familiar.
-Tribo de Benjamim: Quase extinta, restando apenas 11 homens, simbolizando uma grande perda.
-Tabernáculo: Cortinas de pelos de cabra no tabernáculo somavam 11, muitas vezes associadas a contextos de juízo e expiação. 
Conclusão: O número 11 serve como um lembrete bíblico da imperfeição humana, da desobediência ou de tempos de transição difíceis, em contraste com a ordem e a perfeição divina.
 
12 (doze): É o resultado de 4 vezes 3, isto é um número bem completo. É o número da escolha: 12 tribos no AT; 12 Apóstolos no NT; 12 legiões de anjos (Mt 26,53). Os anciãos são 24, isto é: 2 X 12 (Ap 4,4). Os que serão salvos (Ap 7,4) serão 144.000, isto é 12 X 12 X 1000! Número de totalidade (Ap 21,12-14).

40 (quarenta): Número que indica um tempo necessário de preparação para algo novo que vai chegar: 40 dias e quarenta noites do dilúvio (Gn 7,4.12); 40 dias e 40 noites passa Moisés no Monte (Ex 24,18; 34,26; Dt 9,9-11; 10,10); 40 anos foi o tempo da peregrinação pelo deserto (Nm 14,33; 32,13; Dt 8,2; 29,4, etc.); Jesus jejuou 40 dias antes de começar o seu ministério (Mt 4,2; Mc 1,12; Lc 4,2); a Ascensão de Jesus acontece 40 dias depois da Ressurreição (At 1,3). Quando alguém errava, era corrigido com 40 chicotadas (Dt 25,3) e Paulo também recebeu cinco vezes as 40 chicotadas menos uma (2Cor 11,24). 

70 (setenta): Jogo de números 10 X 7. Moisés comunica o espírito profético aos 70 anciãos (Nm 11,16-17.24-25). O exílio na Babilônia é interpretado como a duração de 70 anos (Jr 25,11; 29,10; 27,7; 2Cr 36,21; Dn 9). A tradução da Bíblia hebraica para o grego foi feita, a pedido do rei do Egito por 72 escribas (sábios de Israel, 6 de cada tribo) e por isso recebeu o nome de LXX ou Septuaginta. 

1000 (mil): Uma quantidade tão grande que não se pode contar. Prazo de tempo completo e comprido. Reino de mil anos (Ap 20,2). Ver as combinações: 7 X 1000 (Ap 11,13; 12 X 1000 (Ap 7,5-8); 144 X 1000 (Ap 7,4).
É interessante também notar como os hebreus faziam combinações de números. Por exemplo: Abraão fez a Aliança com Deus quando tinha 99 anos (Gn 17,24), assim a Aliança completou o número 100. É o sábado que dá valor aos demais dias da semana, assim transforma os 6 dias (imperfeitos) em 7 dias (perfeitos). O único dia da semana que tem um nome. Outro exemplo: seis povos habitavam a Terra Prometida (Ex 3,8). Mas são imperfeitos. Israel será o sétimo povo, aquele que tornará a terra perfeita (7). Ver também o jogo num rico feito na elaboração de alguns provérbios (Pr 6,16-19; 30,15-33). Interessante é saber que os israelitas escreviam os seus números com letras alfabéticas (não tinham vogais). Assim podia-se escrever um nome com um valor numérico genial. Por exemplo, Mateus divide a genealogia de Jesus em três grupos de 14 gerações. Ora, o número 14 é o resultado das somas das letras do nome de David (d + w + d): 4 + 6 + 4 = 14. Então Jesus é três vezes David, é o David por excelência. Em Ap 13,18, o famoso número da "besta do Apocalipse" é 666, que provém da soma das consoantes hebraicas (n + w + r + n + r + s + q) de KAISAR NERON: Imperador Nero, o grande perseguidor dos cristãos (100 + 60 + 200 + 50 + 200 + 6 + 50 = 666). Ou «César Deus», no grego. Hoje poderíamos fazer o mesmo com o nome do Bush (que tanto mal fez ao mundo!). Ora, o nome completo dele é: George (6 letras) + Walker (6 letras) + Bush Jr (6 letras), ou seja: 666! O número da Besta do Apocalipse! No capítulo 17 do Evangelho de João, a palavra «mundo» aparece 18 vezes, isto é: 6 + 6 + 6. Ora, para João não é a terra ou o mundo - como nós entendemos hoje - que era mau. «Mundo» significava: o sistema, ou seja, aqueles que não aceitavam Jesus (podiam ser os judeus do Templo ou também os romanos). No capítulo 9 do Evangelho de João, o verbo «abrir» aparece 7 vezes, justamente no relato em que Jesus abre os olhos ao cego; um sinal importante no quarto Evangelho. Muitas vezes, no AT, fala-se de personagens que viveram idades incrivelmente avançadas (Matusalém viveu 969 anos: Gn 5,27; Noé viveu 950 anos: Gn 9,29). Neste caso os números têm um valor simbólico. Querem indicar que estas foram pessoas importantes, fiéis a Deus, e que à época em que elas viveram foi de muito valor. Quanto maior o número de anos, mais importante essa pessoa foi diante de Deus. Outro exemplo: na expressão «filhos de Israel» temos também um exemplo de como os escritores bíblicos gostavam de fazer os jogos de palavras baseadas no valor numérico das letras do alfabeto hebraico. Em laer’f.yI ynEB. (filhos de Israel), a soma dos valores das consoantes é: 2 + 50 + 10 + 10 + 300 + 1 + 30 = 603. Isto é a cifra da multidão do primeiro total do povo no recenseamento antes de partir em direção ao Sinai: 603.550 (Nm 1,46; 2,32). É o mesmo número dos homens que deixaram o Egito (Ex 12,37).